Fui ao cinema. Fui ver Pina, documentário sobre a Coreógrafa alemã Pina Bausch (1940 - 2009). Sorte minha. Não sabia quem era essa nega até outro dia. Normalmente não iria ver um documentário sobre uma coreógrafa alemã. Fui porque recomendado por uma pessoa por cuja opinião tenho certa consideração. Que bom que fui. Me deparei com uma das melhores obras artísticas que vi nos últimos tempos.
Primeiro, quero agradecer às Irmãs Cajazeiras pela indicação. Especialmente pela irmã de beleza grisalha. Uso o "pseudônimo" porque não me lembro do nome delas. Lembro do de uma, mas nomeá-la seria indelicado com as outras, todas tão simpáticas, cultas e gentis. Moças, muito-muito-muito obrigado. Quando vocês me falaram do filme pensei que fosse uma história baseada na vida da Pina, por isso não me empolguei. Mas depois fui pesquisar e soube que era documentário, gênero que é uma de minhas paixões. Daí louvei-lhes o bom gosto e o feliz acaso de tê-las conhecido.
Bora falar do filme. Que dizer? Por duas horas me senti de repente entre anjos, entre seres de outra dimensão. Sonhei que fazia parte de um mundo mais inteligente, mas belo. Acreditei que o óbvio não precisa ser explicado e mesmo o sublime é transparente. Que bom lembrar que tem gente assim com tanto senso de beleza e percepção da verdade vivendo no mesmo planeta que eu. Uma biografia dançada. Que melhor maneira de contar a história de uma vida? Palavras sim, mas faladas em silêncio, mescladas ao movimento dos corpos e cenários, sentidas por todos poros. Delírio estético.
Agora o vídeo 3D fez sentido para mim. Esqueça Avatar. Os desenhos animados são ótimos nesse formato, mas deixe-os pra matinê. O barato do 3D é pela primeira vez dar economia de escala para a dança e o teatro. Agora podemos transformar a tela em palco, deixar que o cinema se converta em teatro conforme a conveniência e faça o milagre de multiplicar as peças. Povo do teatro e da dança, olhem para o 3D, isso pode ser vossa nau de Colombo.
Saí do cinema com várias lampadazinhas brilhando sobre minha cabeça. Numa delas estava escrito globalização, agora com novo sentido. Dezenas de dançarinos louvando a mestra, cada um em sua língua natal. Alemão, inglês, japonês, italiano, chinês, espanhol, português, francês, e outras falas que não vou lembrar agora, embalados por músicas em idiomas tão diversos quanto. Tudo em harmonia, compondo um todo, e todos se entendendo. Rostos de todas as cores e nuances formando uma só expressão do belo.
Essa conversa está muito etérea? Seu gosto é mais mundano? Não perca este filme. Noutra lampazinha brilhava a face de Vênus. Impressionante como são bonitos os dançarinos, como são lindas e sinuosas as dançarinas, como são elegantemente provocantes as peças e suavemente sensuais os movimentos! Saí do cinema subindo pelas paredes. Desde então tem habitado minha mente um insistente desejo de namorar uma bailarina.
Então fica assim. Se já viu, bom pra você. Se não viu, vá ver. Até.
Monday, April 23, 2012
Friday, December 30, 2011
Torcer pro Galo não é fácil, mas é bom
Futebol é um esporte que às vezes se torna bem ridículo, mas, mesmo assim eu gosto de ver e comentar. Um time trabalha o ano todo, num esforço que envolve dezenas de pessoas, e na hora do jogo, muitas vezes, o resultado acaba sendo decidido por um erro do juiz. As regras são feitas pra não funcionarem e as tecnologias que poderiam facilitar o cumprimento das regras são desprezadas pelas autoridades da bola. Isso faz do esporte um troço injusto, meio imponderável e sem sentido. Talvez seja isso o segredo do sucesso, fica parecido com a vida real e, portanto apaixonante. O fato é que não consigo deixar de apreciar.
Se futebol em geral já é complicado, a experiência do torcedor do Galo é mais complexa ainda. A última vez que o time ganhou um título importante foi no ano que nasci. Nas décadas de 80 e 90 se especializou em chegar muito perto e perder nos últimos detalhes. Ultimamente, nem perto chega mais. Mas mesmo assim continua levando multidões eufóricas aos estádios ou deixando milhares de espectadores anônimos perplexos diante da TV. Eu me incluo mais na segunda categoria, mas um pouco na primeira também.
Como uma reflexão de 40 anos, tanto meus quanto do último título bacana do Atlético, penso que o Galo devia mudar suas primissas com vista a fazer mais sucesso nos próximos 40. Se eu fosse o presidente do time, é o que eu faria. Mudaria o foco. O objetivo tem de deixar de ser ganhar título. Em todo título disputado, tem 5 ou 10 times em condições de ganhar. Mesmo que o time seja excelente, sempre pode ter contusões, erros de arbitragem, blackout criativo em algum jogo ou qualquer outro incidente de percurso. E ainda tem o risco de o adversário estar num dia melhor, surgir um grande craque no outro time, ou simplesmente o concorrente se sair melhor mesmo. Não dá pra entrar numa competição contando com a vitória, isso é caminho garantido pra frustação. É preciso sim, ser competitivo em todas as disputas, de forma consistente ao longo de alguns anos. Este deve ser o objetivo, a estratégia principal. E aí, os títulos surgirão naturalmente. Com base nesse propósito, me vem a mente as seguintes primissas, que deveriam ser estabelecidas e cobradas:
. Não trocar de técnico no meio da temporada. A única excessão é se o time estiver correndo risco de cair pra segunda divisão.
. Ter um time titular e mantê-lo por vários jogos. É preciso cobrar isso do técnico. É preciso ter confiança no trabalho e dar confiança às pessoas.
. Se um jogador que está titular sai por lesão simples ou por cartão e fica um ou dois jogos joga, na volta ele tem de ser titular de novo. O jogador tem de saber que se ficar um jogo fora não será descartado, para que ele tenha confiança em se expor, tanto física quanto emocionalmente, senão, não teremos um time realmente dedicado.
. O goleiro nunca deve dar chutão pra frente. Isso pega o time de costas e o adversário de frente, a chance de perder a bola é sempre maior do que de ganhar. O goleiro deve sempre lançar a bola em direção a um jogador do time, com consciência.
. Nenhum jogador deve se livrar da bola com chutão pra frente, nunca. Não pode haver espaço para covardes no time. Todos tem de ter responsabilidade para trabalhar com o time, trocar passes, evoluir de forma consciente em direção ao gol adversário. A única excessão é quando o cara ver que vai perder a bola, daí é melhor fazer o chutão pra lateral, pra dar tempo do time se reagrupar.
. Nenhum jogador deve cair sem necessidade, nem tentar simular falta. A Galo tem uma história de ser prejudicado por arbitragem. É melhor tentar continuar na jogada do que esperar que o juiz marque falta, pois isso pode não acontecer.
. Nenhum jogador deve reclamar da arbitragem, deixem isso pra presidência. Devemos lembrar que o Galo tem um histórico de ser prejudicado por arbitragem. A chance de o jogador acabar expulso é sempre maior do que ele influenciar o juiz a seu favor.
. Nenhum jogador deve fazer lançamento pra área adversária só pra se livrar da bola, sem olhar se tem atacante lá pra recebê-la. É preciso jogar com consciência.
. Todo jogador deve jogar o tempo todo com aplicação, dedicação, marcando quando o time está sem bola, se deslocando, procurando jogadas e criando oportunidades quando o time está com a bola. Quem ficar apático por vários jogos tem de ser afastado do grupo.
. Pelo menos metade do time deve ser formada por jogadores vindo da base, que tenham identidade com o time. Deve ser dado a eles a oportunidade de serem titulares em seqüencias de várias partidas, para ganharem confiança.
Com essas primissas em mente, o objetivo estratégico deve ser a qualidade do jogo, não os títulos. Se o time jogou segundo a filosofia durante o ano e não fez feio, o time foi bem e deve ser mantido para o ano seguinte. É a repetição da fórmula que faz a perfeição. Dessa forma, os títulos começarão a surgir.
Se futebol em geral já é complicado, a experiência do torcedor do Galo é mais complexa ainda. A última vez que o time ganhou um título importante foi no ano que nasci. Nas décadas de 80 e 90 se especializou em chegar muito perto e perder nos últimos detalhes. Ultimamente, nem perto chega mais. Mas mesmo assim continua levando multidões eufóricas aos estádios ou deixando milhares de espectadores anônimos perplexos diante da TV. Eu me incluo mais na segunda categoria, mas um pouco na primeira também.
Como uma reflexão de 40 anos, tanto meus quanto do último título bacana do Atlético, penso que o Galo devia mudar suas primissas com vista a fazer mais sucesso nos próximos 40. Se eu fosse o presidente do time, é o que eu faria. Mudaria o foco. O objetivo tem de deixar de ser ganhar título. Em todo título disputado, tem 5 ou 10 times em condições de ganhar. Mesmo que o time seja excelente, sempre pode ter contusões, erros de arbitragem, blackout criativo em algum jogo ou qualquer outro incidente de percurso. E ainda tem o risco de o adversário estar num dia melhor, surgir um grande craque no outro time, ou simplesmente o concorrente se sair melhor mesmo. Não dá pra entrar numa competição contando com a vitória, isso é caminho garantido pra frustação. É preciso sim, ser competitivo em todas as disputas, de forma consistente ao longo de alguns anos. Este deve ser o objetivo, a estratégia principal. E aí, os títulos surgirão naturalmente. Com base nesse propósito, me vem a mente as seguintes primissas, que deveriam ser estabelecidas e cobradas:
. Não trocar de técnico no meio da temporada. A única excessão é se o time estiver correndo risco de cair pra segunda divisão.
. Ter um time titular e mantê-lo por vários jogos. É preciso cobrar isso do técnico. É preciso ter confiança no trabalho e dar confiança às pessoas.
. Se um jogador que está titular sai por lesão simples ou por cartão e fica um ou dois jogos joga, na volta ele tem de ser titular de novo. O jogador tem de saber que se ficar um jogo fora não será descartado, para que ele tenha confiança em se expor, tanto física quanto emocionalmente, senão, não teremos um time realmente dedicado.
. O goleiro nunca deve dar chutão pra frente. Isso pega o time de costas e o adversário de frente, a chance de perder a bola é sempre maior do que de ganhar. O goleiro deve sempre lançar a bola em direção a um jogador do time, com consciência.
. Nenhum jogador deve se livrar da bola com chutão pra frente, nunca. Não pode haver espaço para covardes no time. Todos tem de ter responsabilidade para trabalhar com o time, trocar passes, evoluir de forma consciente em direção ao gol adversário. A única excessão é quando o cara ver que vai perder a bola, daí é melhor fazer o chutão pra lateral, pra dar tempo do time se reagrupar.
. Nenhum jogador deve cair sem necessidade, nem tentar simular falta. A Galo tem uma história de ser prejudicado por arbitragem. É melhor tentar continuar na jogada do que esperar que o juiz marque falta, pois isso pode não acontecer.
. Nenhum jogador deve reclamar da arbitragem, deixem isso pra presidência. Devemos lembrar que o Galo tem um histórico de ser prejudicado por arbitragem. A chance de o jogador acabar expulso é sempre maior do que ele influenciar o juiz a seu favor.
. Nenhum jogador deve fazer lançamento pra área adversária só pra se livrar da bola, sem olhar se tem atacante lá pra recebê-la. É preciso jogar com consciência.
. Todo jogador deve jogar o tempo todo com aplicação, dedicação, marcando quando o time está sem bola, se deslocando, procurando jogadas e criando oportunidades quando o time está com a bola. Quem ficar apático por vários jogos tem de ser afastado do grupo.
. Pelo menos metade do time deve ser formada por jogadores vindo da base, que tenham identidade com o time. Deve ser dado a eles a oportunidade de serem titulares em seqüencias de várias partidas, para ganharem confiança.
Com essas primissas em mente, o objetivo estratégico deve ser a qualidade do jogo, não os títulos. Se o time jogou segundo a filosofia durante o ano e não fez feio, o time foi bem e deve ser mantido para o ano seguinte. É a repetição da fórmula que faz a perfeição. Dessa forma, os títulos começarão a surgir.
Tuesday, December 20, 2011
Por que escrever um blog
Vou colocar esse post aqui para eu poder lê-lo sempre que ficar em dúvida de porque mesmo que eu tenho um blog. Assim, talvez evite-se que eu o remova só para depois sismar de recriá-lo novamente.
Vamos às razões:
1) Porque eu gosto de escrever.
2) Porque é fácil, é de graça e eu posso enchê-lo de bobagens, afinal, a capacidade de armazenamento da internet é virtualmente infinita.
3) Porque posso registrar aqui meus pensamentos e, quando acontecer algo que eu já previ, vou ter fundamento pra dizer que já tinha pensando nisso.
4) Porque posso por aqui as histórias e/ou idéias que eu acho importantes, mas, só eu acho. Assim, evito que alguém venha a ser constrangidos a ouvi-las com com cara de tédio sem ter de guardá-las só na minha cabeça, que afinal já anda cheia.
Essa é uma lista inacabada. Vou colocando mais razões aqui na medida que brotarem na minha cuca.
Vamos às razões:
1) Porque eu gosto de escrever.
2) Porque é fácil, é de graça e eu posso enchê-lo de bobagens, afinal, a capacidade de armazenamento da internet é virtualmente infinita.
3) Porque posso registrar aqui meus pensamentos e, quando acontecer algo que eu já previ, vou ter fundamento pra dizer que já tinha pensando nisso.
4) Porque posso por aqui as histórias e/ou idéias que eu acho importantes, mas, só eu acho. Assim, evito que alguém venha a ser constrangidos a ouvi-las com com cara de tédio sem ter de guardá-las só na minha cabeça, que afinal já anda cheia.
Essa é uma lista inacabada. Vou colocando mais razões aqui na medida que brotarem na minha cuca.
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